Posso dizer meu nome, minha idade, o que faço e quais são meus planos para o futuro.
Isso me faria apresentável?
Arqueira por excelência, as palavras são minhas flechas.
Tanto podem salvar, como matar.
Tenho a juventude fresca na pele, os sonhos de uma criança e os desejos de uma mulher.
Elemento ar.
Aprendi que a solidão pode ser bela, já não me assusto mais com ela.
Gosto de calcinha branca, de algodão.
Não gosto de feijão, tampouco carne.
As massas se esparramam melhor em minha boca.
Tenho seios de pêra, com bicos claros.
O céu é meu teto para o que for.
Detesto gente que fala o trivial!
Mau gosto, novela, mortadela.
Musiquinha de caminhão de gás ao telefone quando se espera ser atendido.
Gente que ostenta, que acredita que ter é ser. Meu riso é largo.
E a palavra meu ofício.
Eu tinha 15 anos quando me apaixonei por ele. Naquela época eu estudava teatro e achava que seria atriz. Já tinha repetido de ano no colégio. Já tinha perdido a virgindade. Já tinha [... censurado ...] nas escadarias do teatro de arena do Centro de Convivência. Já gostava de Caetano.
Havia uma sensação de estar antecipada, mas eu não me importava e até gostava. Me sentia em casa entre os estudantes de jornalismo da PUCCAMP que freqüentavam o City Bar - pé sujo tradicional de Campinas que só deixávamos depois que o garçom jogasse água em nossos pés.
Nunca conheci uma turma mais interessante e pirada do que a turma de jornalismo da minha irmã Carol.
Foi numa das festas da PUCCAMP que o conheci. Magrelo. Cabelos desgranhados. Um sorriso meio tímido. Piercing. Um violão a tira colo. Falava sobre arte independente.
Paulinho, seu nome. Trocamos algumas poucas palavras. Eu estava doida demais aquele dia. Fazia frio. Não me lembro o que falamos. Lembro que bebi vinho barato e fumei muito, muito, mesmo.
No dia seguinte acordei de ressaca, com um zumbido no ouvido e uma vontade de redescobrir uma cor familiar.
Eu não escrevia naquela época. Meus versos repousavam num novelo de lã lilás enquanto eu não acordava para dentro. Foi nesse perambulo que ele teceu o som que me aqueceu melhor do que qualquer cachecol perfeito: a seta e o alvo.
Foi por isso que chorei ao receber a confirmação de que ele, Paulinho Moska, participaria do Sol na Boca.
Depois, fui ouvir Cheio de Vazio e rezar, pedir a todos os santos para que eu não fique com cara de mocoronga no palco de tanto babar e que eu não desande num choro sem fim de fã. Ai meu Deus é muito desafio para uma garota só. Perder a vó em plena temporada, dividir palco com esse moço!!! Ai meu Deus!
Acho que eu amei com tanta sinceridade o ruído de suas asas que os deuses, comovidos, o trouxeram para o meu palco, minha casa.
Evoé! Namastê! Amém! Saravá! Salamanguê!
* * *
@@@ Raríssimos, obrigada pelo apoio e paciência comigo! Meus lilases ao vento a vocês!!
Cheio de Vazio
[Moska]
O vazio é um meio de transporte Pra quem tem coração cheio Cheio de vazios que transbordam Seus sentidos pelo meio Meio que circunda o infinito Tão bonito de tão feio Feio que ensina e que termina Começando outro passeio
E lá do outro lado do céu Alguém derrama num papel Novos poemas de amor
Amor é o nome que se dá Quando se percebe o olhar alheio Alheio a tudo que não for Aquilo que está dentro do teu seio Porque seio é o alimento E ao mesmo tempo a fonte para o desbloqueio E desbloqueio é quando aquele tal vazio Se transforma em amor que veio
Lá do outro lado do céu Alguém derrama num papel Novos poemas de amor Do outro lado do céu Alguém derrama num papel Novos poemas de amor O vazio é um meio de transporte Pra quem tem coração cheio
Sol na Boca
21/05
com Claufe Rodrigues e Mano Melo
convidados Paulinho Moska, Elisa Lucinda, Geovana Pires e Chico Anysio
participação Mônica Montone & banda Sergio Serra, Di Lutgardes e Rodrigo Sebastian
Local: Canequinho Café (anexo ao Canecão Petrobras) Av. Venceslau Brás, 215 – Botafogo Tel.: (21) 2105 2000 Datas: 07,14, 21 e 28 de maio (quartas-feiras) Horário: 21h30 Ingresso: R$ 20,00
O diretor não gritava “corta”. Olhei para os lados. Queimei a pele fina dos meus lábios na porcelana onde o chá quente suspirava – eu precisava saber que não estava sonhando.
Por um segundo, lembranças de filmes surrealistas começaram a percorrer minha espinha. E se esse maldito jogo de retórica sobre “quem pode garantir que estamos sonhando ou que estamos acordados” fosse verdade?
Respirei fundo. Tudo o que eu menos precisava naquele momento era me convencer de que eu estava ficando louca para assim entrar uma crise de pânico.
Ora, “se ninguém sabe a resposta, cabe a mim inventar a que melhor rodopia em minhas escápulas em chamas”, pensei.
Não era um filme, não era um jogo de retórica, não era loucura, não era lacuna. Era o céu que se abria para receber Iolanda Esperança, minha avó.
Dona Iolanda foi e sempre será a mãe da palavra infância. Nunca, em tempo algum, as bolhas de sabão que fiz em seu quintal vão se desmanchar em meu coração.
Foi ela quem fez os meus primeiros figurinos com suas cortinas numa manhã de domingo, foi ela quem me emprestou o primeiro palco que pisei aos 8 anos: sua garagem.
Seus olhos verdes me cobriam como mil aplausos e havia tanta ternura neles!
Dona Iolanda foi uma mulher que nunca cobrou nada de ninguém. Sempre deu amor sem exigir nada em retribuição. Era cozinheira de mão cheia e passava madrugadas inteiras fazendo docinhos caseiros para os meus aniversários. Tinha medo de trovão e chuva forte, talvez porque ela fosse uma tempestade por dentro.
Eu não teria conseguido subir ao palco do Canequinho na noite de 14/05 se ela não fosse minha avó. Nunca conheci uma mulher mais forte do que ela. Foi por ela, para ela e com ela no coração que consegui.
Não, não era um filme. Não havia diretor para gritar “corta”. Minha querida avó estava a caminho do céu quando tive que escolher entre beijar sua testa pela última vez ou me jogar num palco na tentativa de realizar um sonho e começar a cumprir o meu destino.
Foi inevitável não chorar quando cantei uma música do meu repertório que diz: “Essa noite eu daria meus sonhos, por um sorriso seu/ Essa noite eu daria meus sonhos, por um beijo seu/ Essa noite eu daria meus sonhos, por um olhar seu”....
Eu sei que ela merecia um show mais bonito do que o que eu fiz e que ela merecia um texto mais bonito do que este, mas está além das minhas forças fazer algo melhor que isso. Estou exausta.
Eu só espero que ela esteja de mãos dadas com meu avô, em algum espaço de tempo róseo, macio, morno, com cheiro de rosas recém molhadas e gotas de orvalho para beber.
Dona Iolanda, eu te amo para sempre, para além de mim, para além do que você representou em minha vida.
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@@@ Raríssimos, o segundo show foi um sucesso e estou feliz por isso. Realmente, enquanto a temporada não acabar não terei como retribuir o carinho de vocês, mas quero que saibam que estou lendo os comentários e que sinto a força que me transmitem. Quando o show acabou e cheguei em casa chorei demais, demais, mesmo. Agora, enquanto escrevo, choro. Esse fim de semana vou descansar, pois quarta que vem tem mais e eu ainda não virei a estrela que minha avó sonhava ver no Faustão e não tenho assistente, secretária e afins.............................
@@@Bel, ave rara de primeira linhagem, obrigada pela presença no show!!
Alguns poetas são tão espetaculares que fazem o sol nascer em plena noite e depois, para não melindrar a lua, eles guardam o amarelo no silêncio do céu da boca: é nesse momento que nascem os versos que pingam no papel.
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... A cultura Maia tem uma expressão verdadeiramente poética para se referir ao sol poente: chi-kin, ‘o sol na boca’, ou ‘o sol devorado’. A imagem lembra a mitologia e as teogonias egípcias. Em particular o mito de Nut a parir o sol diariamente. O dia nasce do seu ventre e cobre-lhe a pele até que o sol atinge a boca e anoitece. É noite enquanto ele atravessa o corpo da deusa para depois sair novamente pela sua vagina. A similaridade aumenta quando sabemos que na mitologia Maia também o sol, depois de devorado, penetra no mundo inferior, atravessa-o e volta a nascer, triunfante, como se idealizava no antigo Egipto...
Quando eu for gente grande e puder ter uma produtora só para mim, e uma assistente só para mim e uma secretária só para mim, eu prometo: vou trata-las bem, como se fossem minhas melhores amigas, vou enche-las de beijos, presentes e carinhos.
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Ser produtora, assessora e secretária da Mônica Montone não está fácil.
Ela é gente boa! Não grita, não humilha ninguém e procura incentivar todos a sua volta. A única coisa que a moça pede o tempo todo enquanto ensaia e passa som é água para hidratar a garganta e, ao final de cada show, uma coca-zero com um lanche de queijo. Até o case do violão ela carrega. Não tem frescuras.
Mas pagar suas contas, agendar salão de beleza, cuidar de sua casa, fazer mercado, arrumar malas para shows e gavetas do guarda-roupa, fazer com que ela coma [ tem dias que ela esquece], produzir o show Sol na Boca, fechar elenco, divulgar o espetáculo, resolver burocracias da casa de shows, agendar ensaios, coordenar equipe, marcar reunião com apoiadores, buscar figurino, atender imprensa, etc, etc, etc não é moleza, não.
Eu precisei rasgar meu rascunho para merecer carregar o sol na boca. Desisti dessa coisa pouca de ser. E não, eu não sou muitas. Essa coisa de ser muitas é para quem ainda conserva no rosto traços de um rascunho mal acabado.
Elas é que são muitas em mim: as dores, as vontades, as idades, as divas, as serpentes, as santas, as giras, as divindades. O que penso que sou é apenas um reflexo e como todo reflexo, é efêmero.
Esquece! Eu não sou cantora, eu não sou poeta, eu não sou escritora, eu não sou atriz. Eu sou o que eu quiser ser. E isso depende muito do dia, da roupa, da voz, do chapéu, do anel na capa do livro.
Tem dias que não quero ser nada e nada sou. Ninguém me reduz a nada, porque nada sou quando quero, e não tenho medo de nada ser, porque gosto de escolher minhas misérias.
O sol que nasce em minha boca é o mesmo que se põe em meu umbigo. Então, não preciso me preocupar com nenhum tipo de perigo: sei onde tudo começa e acaba em mim e aprendi que algumas aflições requerem poderosos óculos escuros e filtro solar e que às vezes é inevitável se manchar de vermelho.
E se o vermelho me laça como um lenço de seda no vento, danço com ele. Ás vezes ele arde, noutras enfeita minhas bochechas que vez ou outra ficam carentes da vida.
Aceito. Obedeço. É loucura questionar o vermelho. É loucura lutar contra ele. Mais sábio é tirar dele alguns metros de sol poente e vestir-se de amplidão.
Eu não sou muitas. Sou apenas alguém que aceita as cores como elas são.
[texto escrito pós show]
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Na noite de 07/05 o vermelho me lançou no céu do palco do Canequinho Café [anexo do Canecão]. Nessa noite quis ser cantora, e cantora fui. Dividir palco com Chico Anysio, Cássia Kiss, Priscilla Rozenbaum, Lêdo Ivo, Claufe Rodrigues, Mano Melo, Sergio Serra, Di Lutgardes, Rodrigo Sebastian foi um dos momentos mais mágicos que já vivi. Foi lindo! Quem assistiu pode contar. Essa moça, aqui, estava lá, perguntem a ela.
Confiram as fotos da estréia, no site do espetáculo Sol na Boca
E pensar que semana que vem tem mais!! Que alegria!
@ Raríssimos, obrigada demaaaaaaaaais pela presença de vocês por aqui, pela vibração, energia e luz que tem me enviado. Aos que sempre comentam: tenho sentido cada palavra de carinho em meus poros. Estou a flor da pele e às vezes até choro com alguns comentários.
Além de cantar, estou produzindo este espetáculo. Não está fácil! Tem dias que choro exaustivamente de tanto cansaço. Houve um dia que trabalhei 19h sem parar, sem parar. Mas está valendo a pena cada noite sem dormir. Por isso, queridos meus, perdoem-me se não puder dar atenção que vocês merecem nesse período. Alguns amigos da blogosfera me ajudaram a divulgar a estréia, obrigada, raros! Assim que der deixo flores para vocês por aqui. Beijos de baunilha!
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Você está convidado para fazer parte da confraria Fina Flor, clique aqui
Um dos efeitos colaterais da juventude é a sensação de que tudo é agora ou nunca mais.
Não é a mesma ansiedade que a criança experimenta enquanto o sorvete não vem. É a indigestão de saber que o sorvete só virá para sua mão se você for buscá-lo. É a tonteira da obrigação de estar atento o tempo todo para não perder a passagem do carrinho de sorvete.
Fazer escolhas não pesa tanto quanto pensei. Esperar pelas conseqüências delas é que é difícil. Aceitar alguns ruídos que vez ou outra as acompanham é que é complicado.
O diabo não mora ao lado, mas na ponta do iceberg que é o meu umbigo.
Se ao menos eu fosse mais gentil comigo! Mas jovens nunca são gentis com as sombras que vestem. Se lançam em desertos desejos na tentativa de beber miragens: sucesso, filho, fama, casamento, dinheiro, status, felicidade.
O mundo está ao alcance das nossas mãos, é o que dizem, só que não podemos tocá-lo, pois geralmente estamos com as digitais borradas de aflição.
Aflição por ter falado demais ou por te falado de menos. Por ter comido demais ou por ter comido de menos. Por ter tentando demais ou por ter tentado de menos. Aflição por não ter feito a coisa certa. Aflição por não poder fazer nada.
A juventude é uma grande cilada! A juventude é um quebra-cabeça de 10.000 peças que não sabemos montar. É uma boneca rara que não podemos tirar da caixa para não quebrar ou empoeirar. É uma comida cara que não temos paladar para apreciar.
Eu, daqui pra frente, quero ser jovem no viço, no riso, na saia rodada, no batucar da madrugada, na mochila sempre arrumada para uma nova enrascada.
A juventude da aflição, quero mais não. Sentir-se grande não tem preço.
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Tudo isso para dizer que estou com o Sol na Boca e o coração nas mãos!! Minha juventude aflita tem roído minhas unhas nos últimos dias.
É, aves raras, estrear um espetáculo, no Canequinho Café [anexo do lendário Canecão], ao lado de feras como Claufe Rodrigues, Mano Melo, Cássia Kiss, Chico Anysio, Antonio Calloni, Lêdo Ivo e Priscilla Rozenbaum não é tarefa das mais fáceis.
Além disso, a alegria sem fim: Sergio Serra, um dos maiores guitarristas brasileiros [ Ultraje a Rigor] estará na banda, junto a essa mocinha que vos escreve [vocal], Di Lutgardes [bateria] e Rodrigo Sebastian [baixo] e Claufe [violão elétrico].
É alegria, aflição, euforia, sensação de voar, cair, levantar.... merecer.
Claro que estou nervosa, mas confesso que ficaria mais calma se visse uns rostinhos amigos e sentisse perfumes raros na platéia!!! Portanto, raríssimos, quem estiver aqui no Rio no dia 07/05, quarta-feira, apareeeeeeça!!!
Quem não puder ir, vibre positivamente pelo sucesso do espetáculo!!! Depois eu conto como foi.......... Ai que frio na barriga! Evoé! Ahhh, e quem quiser compartilhar a comunidade Eu leio o Fina Flor, no orkut, basta clicar, aqui
Mais informações sobre o Sol na Boca e fotos do ensaio, aqui
Local: Canequinho Café (anexo ao Canecão Petrobras) Av. Venceslau Brás, 215 – Botafogo
Tel.: (21) 2105 2000 Datas: 07, 14, 21 e 28 de maio (quartas-feiras) Horário: 21h30
_ Por que bunda chama bunda e pasta de dentes chama pasta de dentes? Pasta de dentes não poderia chamar bunda? Quem inventou os nomes?
Esse era o tipo de pergunta que eu fazia a ela às 2 horas da manhã do alto dos meus oitos anos. Sim, desde pequena as palavras me fascinavam, e sim, desde pequena eu não gostava de dormir durante a madrugada.
Com ela aprendi coisas muito importantes: fazer trança nos cabelos, jogar truco, buraco e rouba-monte, fazer brigadeiro, fazer as unhas, enfeitar diários, decorar as casinhas da Barbie, dançar samba, samba-rock, lambada e Balão Mágico.
Quando pequena, era para os seus bracinhos que eu corria se algo me espantasse demais nas aulas de massinha da escola.
Com ela eu me esbaldava tomando banho de esguicho debaixo da bananeira no quintal da eterna avó. Aliás, eu sempre pensava que se fosse uma árvore queria ser uma bananeira, pois achava lindo meu avô dizer que, aquele arranjo vermelho, pendurado nas folhas, era o coração da árvore. Era a única árvore que eu conhecia, até então, que tinha coração...
Foi ela quem fez os meus primeiros cenários: cartazes e colagens no teatro, digo, garagem da dona Iolanda. Era ela, também, quem me ajudava com o figurino e quem me ensaiava os passos. O meu cachê? Pipoca com guaraná Xereta.
Com ela tomei porres de cair no chão e acampei por aí. Por suas roupas descoladas esperava ansiosa - nunca vou me esquecer a emoção que senti ao usar pela primeira vez a bermudinha com o símbolo hang loose no bum bum.
E seu feijão com arroz? Hummmmmmm.
Com ela aprendi a amar as crianças, andar de sapato de salto, não limpar a boca no braço e a sentar de pernas fechadas.
Hoje, olhar para a pequena grande sereia, é o mesmo que sentir o cheiro de chocolate vindo da mamadeira que nossa mãe nos levava na cama e que eu sempre tomava a minha e a dela para que ela não apanhasse: “Deixa, mãe, o nenê tome”.
Quem poderia imaginar que seríamos comadres? Eu, jamais!
Retribuir um presente como o pequeno João é impossível, por isso escrevo, porque alimento a ilusão de que somente o que há de etéreo nas palavras é capaz de tornar palpável o amor.
Eu não sabia que ia ser escritora quando crescesse, mas sabia que ela seria uma artista de mão cheia. Não me enganei. De suas mãos brotam mimos diversos, de carteiras/bolsas à bonecas de pano e chaveiros descolados.
Atualmente, minha irmã do meio espalha o seu cheiro de fruta por aí com a grife Mexerica. Confiram, aqui.
E eu, dona Branca, te desejo o que há de melhor nesse dia especial que é o seu aniversário: um óculos escuros para esconder possíveis olheiras, um doce de maracujá, um pacote de bolacha passa-tempo afogado no leite, um banho de creme nos cabelos, um disco do Baleiro, um cheiro de chuva nas narinas, um abraço quente, um cafuné nos cachos e um pé para esquentar o seu.
Ah, e antes que eu me esqueça: obrigada por me agüentar todos esses anos!
* * * Presentinho
[lembra que brincávamos de interpretar essa música?]
@ Junte-se a nós na comunidade Eu leio o Fina Flor. Pessoas finas, elegantes e gentis são sempre bem vindas por lá. aqui
Duas blusas. Um livro de Borges resgatado de um sebo empoeirado em Copacabana. Flores embrulhadas num papel de pão.
Sexo de café da manhã. Sorvete. Cafuné.
4 pares de sapatos depois, e ainda sou a mesma, embora não seja aquela de ontem, nem tenha alcançado quem posso ser.
É por isso que prefiro estar com as coisas e não simplesmente entre elas, ou, ser uma delas. Sempre que estamos com amêndoas e caracóis experimentamos a ausência de nós! Nos desamarramos de nós mesmos e sentimos a idade do céu na ponta da língua que bebe o tic tac do instante e das coisas dadas como insignificantes.
O caracol que me levou para além de mim nesse fim de semana tem nome: Calvin. Caiu em minhas mãos um livro com todas as tirinhas do mocinho. Além do riso, a constatação:
Menino quando gosta de uma menina finge que não gosta dela.Puxa o cabelo, ri de sua boca banguela.
Acontece que os meninos crescem e algumas meninas parecem não se dar conta disso!
Daí começa a confusão. Menino crescido que não quer menina crescida faz com que a menina crescida entenda que seu não-querer é na realidade um bem-querer.
São muitas as meninas crescidas que dizem: “ele me ama, mas está com medo”, ou, “ele me ama, mas não sabe”.
Meninas, por favor!
Meninos crescidos quando dizem "não", estão dizendo "não". Eles não vão mudar de idéia no próximo recreio, e não, eles não tem medo de você.
Portanto, esqueçam as brincadeiras do jardim de infância! Elas não eram o prelúdio de um grande amor.
Procurem uma amêndoa ou um caracol para se perderem do que são, do que já sabem e de tudo aquilo que é estanque.
Às vezes encarar um tanque de idéias mal lavadas pode alvejar os dias, transformar velhas dores e anunciar novas cirandas.
* * *
Detalhe: só para lembrar, eles tinham 6 anos e não 26, 36, 46... [tirinha daqui, ó]
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O-b-r-i-g-a-d-a a todas as aves raras que estão participando da comunidade Eu leio o Fina Flor, no orkut. Para quem deseja se juntar a nós, basta praticar a gentileza no dia a dia e clicar, aqui
@
Boa semana para todos nós!!
Update: E de Portugal, sem que eu estivesse esperando, chegou a surpresa de uma homenagem que tanto me fez sorrir. Obrigada, Girassol, realmente meu dia ficou mais belo depois do seu gesto.
Eu assistia Caverna do Dragão quando pequena. Logo, cresci achando que o bem vence o mal.
Hoje, apesar de saber que essa coisa de bem e mal não existe - o que complicou bem a vida! – continuo acreditando que mil açucenas em casa são capazes de espantar o olhar dos que murcharam em vida.
Eu não pensei em nada disso quando resolvi montar uma comunidade no orkut chamada EU LEIO O FINA FLOR.
A minha idéia primeira era apenas ficar mais próxima de vocês e criar um espaço de interação entre pessoas com sensibilidades ímpares, porém semelhantes. Uma espécie de confraria, onde a religião fosse o que já se pratica por aqui: a gentileza.
Mas como honro o diploma de psicóloga que nunca usei, tampouco pendurei na sala, percebi que minha motivação inconsciente era agregar pessoas com perfumes róseos e lilases ao meu redor porque chorei demais essa semana por conta dessa confusão de vizinhos! Dormi mal. Pouco comi. Me senti a última das mortais.
Enfim, talvez a Analisa - a psi que me habita - tenha razão: eu só estava precisando de carinho!!!
Seja como for, você, que lê o Fina Flor e se orgulha de fazer parte desse canteiro, você, que é uma ave rara de primeira linhagem, está convidado a participar: